FITOMEDICAMENTO

Barbatimão

No Brasil, as cascas do barbatimão – nome popular do Stryphnodendron adstringens (mart.) – são utilizadas tradicionalmente pela população há quase um século como cicatrizante de feridas, sendo esses efeitos relatados nos livros mais antigos da fitoterapia brasileira.

Publicações informais referem-se ao uso do barbatimão primeiramente pelos índios em rituais de cura. Pajés utilizavam-no como cicatrizante e anti-inflamatório, prática transmitida aos caboclos, chegando aos centros de pesquisa da atualidade.

Das 26 espécies de barbatimão encontradas na América do Sul, 25 estão no Brasil. Uma árvore específica é encontrada em todo o território nacional, do Amapá ao Paraná. Nativa do cerrado brasileiro, é encontrada na Bahia, Goiás, Mato Grosso (ambos), Minas Gerais, São Paulo e, em menor quantidade, em outros estados.

Conhecida na língua indígena como “Ba-timó” ou “Yba timbó”, seu nome significa “planta que aperta”, devido ao efeito adstringente da sua casca, provocado por metabólitos secundários nomeados taninos.

O BARBATIMÃO TAMBÉM É CONHECIDO COMO abaramotemo, barbatimão-verdadeiro, barba-de-timan, ibatimão, barba-de-timão, barbatimão-vermelho, casca-da-mocidade, ibati-mô, casca-da-virgindade, paricarana, uabatimô, paricana, ubatima, ubatimô, chorãozinho-roxo, verna, piçarana, paricarana e ibatimô.

É uma espécie de planta pertencente à família Fabaceæ, de árvore pequena, hermafrodita, decídua, de tronco tortuoso e casca rugosa, espessa e de cor clara.

Planta medicinal utilizada para a cicatrização de feridas

O barbatimão é amplamente conhecido na cultura popular. Documentos históricos comprovam o seu uso, em várias formas de aplicação, para inúmeras indicações há pelo menos um século, embora seja conhecido desde a chegada dos primeiros portugueses em solo brasileiro.

A principal indicação pela população e raizeiros é a do tratamento de feridas cutâneas pelo extrato seco da casca, sendo a planta mais usada para esse fim. Recentemente, foi industrializado e lançado no mercado em forma de pomada. É o primeiro fitoterápico genuinamente brasileiro, de uma planta nativa do cerrado.

A literatura comprova seu efeito cicatrizante, equilibrando a atividade inflamatória local e combatendo a infecção, ao agir nas membranas de bactérias e fungos. Tem ainda ações anti-hemorrágica e adstringente, estimulando a contração das bordas das feridas e reduzindo gradativamente seu tamanho.

É apresentado na forma de pomada aplicável diretamente no leito da ferida, uma vez por dia, e, no caso de exsudato intenso, duas vezes. É praticamente destituído de interações medicamentosas e de efeitos colaterais. Só há um relato de ardor no local da lesão, em geral após três dias de uso consecutivo. Todavia, é responsivo aos analgésicos comuns (dipirona e paracetamol) em doses habituais, administrados de meia a uma hora antes da aplicação da pomada.

Barbatimão – Stryphnodendron barbatiman (mart.)

Família

Fabaceæ

Sinonímias

Barbatimão-verdadeiro, barba-de-timão, chorãozinho-roxo, uabatino, paricana, verna, casca-da-virgindade.

Sinonímias científicas

Stryphnodendron adstringens (mart.) Coville; Mimosa barbadetimam vell.; Mimosa virginalis; Acacia adstringens (mart.).

Parte usada

Casca do tronco. Observações: a casca produz substância tintorial vermelha. Suas sementes são consideradas venenosas; os frutos contêm tanino, aproveitado na indústria de curtume.

Propriedades terapêuticas

Adstringente e cicatrizante, bactericida em inflamações e úlceras. Diminui o diâmetro da ferida, induz à formação de uma nova pele, novos capilares sanguíneos e aumenta o número de células de defesa.

Princípios ativos

Taninos e alcaloides indeterminados, amido, matérias resinosas, mucilaginosas, matéria corante vermelha, ácido tânico. Suas propriedades se devem aos taninos presentes na casca.

Indicações terapêuticas

Úlceras vasculogênicas, úlceras por pressão, pé diabético.

Formas de aplicação

Uso externo: mediante aplicação direta da tintura em curativos das úlceras, após limpeza com soro fisiológico morno, solução de cloreto de magnésio a 10% ou banho parcial com eucalipto.

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